E se o fornecedor falhar?
Uma empresa raramente para por falta de informação. Pode parar porque falta uma peça, um serviço, um fornecedor, ou uma alternativa.
Esta semana, olhamos para uma pergunta simples: onde está a sua empresa demasiado dependente de uma única opção?
Menos ruído. Mais controlo. Melhores decisões.
01 · ESTA SEMANA
Amanhã, atenção às operações aduaneiras
A Autoridade Tributária vai fazer uma atualização técnica dos sistemas aduaneiros na terça-feira, 29 de setembro.
Entre as 10h00 e as 16h00, podem ocorrer constrangimentos nas aplicações aduaneiras, incluindo sistemas relacionados com Impostos Especiais sobre o Consumo e Imposto Sobre Veículos.
Para empresas que importam ou exportam, seis horas de constrangimentos podem ser suficientes para atrasar um desalfandegamento ou uma operação que estava planeada para esse período.
→ O que fazer: se tem operações aduaneiras previstas para amanhã, antecipe hoje o que for possível e confirme o planeamento com o despachante ou transitário.
Eletricidade: confirme se outubro lhe muda o preço
A partir de 1 de outubro, entram em vigor novas tarifas de energia aprovadas pela ERSE para o Comercializador de Último Recurso.
A alteração afeta, entre outros casos, tarifas transitórias, tarifa social, fornecimento supletivo e mobilidade elétrica. Se está no mercado liberalizado, esta atualização não altera automaticamente o preço contratado.
→ O que fazer: confirme na fatura em que regime está e, se estiver abrangido, verifique o preço aplicável a partir de outubro.
Fonte: ERSE
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Produtos digitais: 24 horas pode ser o prazo
Desde 11 de setembro, fabricantes de produtos com elementos digitais têm novas obrigações de comunicação ao abrigo do Cyber Resilience Act.
Uma vulnerabilidade ativamente explorada ou um incidente grave exige um primeiro alerta até 24 horas depois de ser conhecido e uma notificação principal até 72 horas.
Isto não se aplica genericamente a uma empresa apenas por utilizar software.
→ O que fazer: se desenvolve ou fabrica software, hardware ou equipamentos conectados, confirme quem é responsável por avaliar e reportar um incidente e se conhece o processo de notificação.
02 · O NÚMERO
<50%
Menos de metade das PME europeias considera estar preparada para gerir riscos geopolíticos que afetem a atividade e a cadeia de abastecimento.
No conjunto das empresas europeias, o valor é 64%. A preparação aumenta claramente com a dimensão da empresa.
Isto não significa que mais de metade das PME esteja prestes a ter problemas mas mostra sim uma diferença de preparação.
Tarifas, regulamentação, fornecedores, mercados ou rotas de transporte podem mudar sem que a empresa controle a causa.
O que pode controlar é a dependência.
PERGUNTA
Se o seu fornecedor mais crítico falhar amanhã, já sabe quem o substitui?
03 · CONTROLO
Qual fornecedor não pode falhar?
Pense nas cinco compras ou serviços cuja falta poderia parar vendas, produção ou uma parte importante da operação.
Não escolha necessariamente os fornecedores onde gasta mais.
Escolha aqueles de que mais depende.
Para cada um, veja se existe alternativa e quanto tempo conseguiria operar até precisar dela.
→ O que fazer: identifique um fornecedor crítico para o qual ainda não tem uma alternativa validada.
Tempo: 10 min
04 · DECISÃO
O fornecedor mais barato pode ser o mais caro
Comparar fornecedores apenas pelo preço deixa um custo de fora:
O custo de ficar sem fornecimento.
Um segundo fornecedor pode parecer mais caro enquanto tudo corre bem, mas a decisão muda quando pergunta:
“Quanto me custaria ficar cinco dias sem este produto ou serviço?”
Não significa duplicar todos os fornecedores nem criar stock para tudo. Significa perceber onde uma pequena poupança de preço cria uma dependência demasiado grande.
Redundância tem um custo. Dependência também.
05 · FERRAMENTA
O teste das 3 perguntas
Pegue num fornecedor crítico e responda:
1. Consigo substituí-lo em 72 horas?
2. Tenho stock ou cobertura suficiente até a alternativa estar operacional?
3. A alternativa já está validada e tem preço conhecido?
3 sim: risco razoavelmente controlado.
2 sim: merece atenção.
0–1 sim: existe uma dependência por resolver.
Não é uma auditoria à cadeia de abastecimento.
É um teste de dois minutos para perceber onde vale a pena aprofundar.
06 · RADAR
Se a operação parar, o seguro chega?
Na sequência das tempestades do início do ano, o coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução Centro afirmou numa audição parlamentar que apenas 7% das empresas portuguesas têm segurada a componente produtiva.
É um dado que deve ser lido com cautela: foi apresentado pelo responsável público na audição e não encontrei, até agora, a metodologia detalhada que o suporta.
Há, porém, um sinal mais amplo: as seguradoras receberam cerca de 31 mil participações de sinistros de empresas relacionadas com o conjunto de tempestades do início do ano, e os danos indemnizáveis totais estimados aproximaram-se de 1,3 mil milhões de euros.
Sinal: confirme se os seus seguros cobrem apenas edifícios e equipamentos ou também perdas decorrentes da interrupção da atividade.
Fonte: ECO / Associação Portuguesa de Seguradores
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Inovação Produtiva: não conte já com o próximo aviso
O aviso de Inovação Produtiva atualmente aberto mantém candidaturas até 30 de setembro.
Mas o novo Plano Anual de Avisos colocou condicionantes ao lançamento de futuros concursos do COMPETE nesta área. O lançamento ficará dependente da aprovação de mecanismos adicionais de financiamento e da respetiva decisão da CIC Portugal 2030. A existência do novo Plano Anual, aprovado a 10 de setembro, está confirmada oficialmente.
Sinal: se um investimento previsto para 2027 depende deste incentivo, não construa já o orçamento assumindo um novo aviso numa determinada data.
Fonte: COMPETE 2030 / ECO
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Produtos locais ganham uma nova proteção europeia
Portugal publicou a 25 de setembro o regime nacional para o registo de indicações geográficas de produtos artesanais e industriais.
A nova proteção abrange produtos como joalharia, ourivesaria, vestuário, tecelagem, bordados, cerâmica, vidro ou cestaria, entre outros.
Há também apoio disponível para PME: o Vale 5 do Fundo PME reembolsa 50% dos custos elegíveis do registo e elaboração do caderno de especificações, até 2.000 €. As candidaturas decorrem até 4 de dezembro.
Sinal: se a reputação ou características do seu produto estão ligadas a uma região ou saber-fazer local, verifique se esta nova proteção é aplicável.
Fonte: INPI / Decreto-Lei n.º 194/2026
07 · SEM RUÍDO
Se fizer apenas uma coisa esta semana, faça esta:
Escolha um fornecedor ou serviço crítico para o qual não tem alternativa e defina o plano B.
Não precisa de duplicar tudo. Precisa de saber onde não pode ficar sem opção.
Até para a semana,
Marcos Ramos
Gestão sem Ruído
Menos ruído. Mais controlo. Melhores decisões.