O seu software está preparado?
Há assuntos e regras que parecem assunto exclusivos do contabilista, até ser necessário alterar o software que as executa.
A Autoridade Tributária deu até ao final do ano uma solução transitória para determinadas correções de faturas. Em janeiro, essa exceção termina.
Esta semana, olhamos para um risco banal: assumir que o sistema estará preparado sem nunca o ter testado.
Menos ruído. Mais controlo. Melhores decisões.
01 · ESTA SEMANA
OE2027 chega esta semana. Espere pelo documento.
A proposta de Orçamento do Estado para 2027 tem de ser entregue na Assembleia da República até 10 de outubro. Até lá, vão multiplicar-se propostas, reivindicações e antecipações sobre impostos, salários, apoios e investimento.
Uma proposta anunciada não é, ainda, uma medida do Orçamento. E a proposta de Orçamento também não é a lei final.
→ O que fazer: quando o documento for publicado, procure primeiro apenas o que pode alterar três coisas na sua empresa: impostos, custo das pessoas e decisões de investimento. Não refaça o orçamento de 2027 com base nas manchetes.
Fonte: Assembleia da República
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Faturação: não espere por janeiro
A AT publicou novas orientações sobre a forma de corrigir faturas e regularizar IVA.
Em alguns casos em que é necessário corrigir apenas o IVA, a própria AT reconhece que alguns programas de faturação podem precisar de adaptação. Por isso, permite excecionalmente até ao final de 2026 um procedimento alternativo. A partir daí, essa solução transitória termina.
O tema ganhou atualidade esta semana: fiscalistas e contabilistas alertaram que há sistemas que ainda não estão preparados para executar todos os novos procedimentos.
→ O que fazer: pergunte ao fornecedor do seu software e ao contabilista se a versão que utiliza já suporta os procedimentos do Ofício Circulado n.º 25120/2026 e quando será testada na sua empresa.
Fonte: Autoridade Tributária
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Vai construir ou ampliar instalações? As regras mudaram
Desde 1 de outubro, estão em vigor alterações ao Regime Jurídico da Urbanização e Edificação. Entre outras mudanças, o novo regime redefine quais as operações sujeitas a licença, comunicação prévia ou comunicação prévia com prazo.
Não significa que todos os projetos tenham ficado mais simples. Significa que o procedimento aplicável pode já não ser aquele que tinha previsto.
→ O que fazer: se vai construir, ampliar ou reabilitar instalações, confirme com o projetista ou município qual o procedimento aplicável e se o calendário do projeto mudou.
Fonte: Diário da República — RJUE
02 · O NÚMERO
≈150
É o número de indicadores económico-financeiros que o Banco de Portugal disponibiliza para comparar empresas por setor de atividade e dimensão.
Na terça-feira, são atualizados os indicadores anuais com os dados de 2025, incluindo informação regional. Na quinta-feira chegam os dados do 2.º trimestre de 2026.
Não precisa de acompanhar 150 indicadores.
Comece por três:
Autonomia Financeira: Quanto da empresa é financiado por capitais próprios, em vez de dívida.
Rendibilidade do Ativo: Quanto resultado (%) a empresa consegue gerar com os ativos que utiliza.
Prazo Médio de Recebimentos: Quantos dias, em média, a empresa demora a receber dos clientes.
Depois compare a sua empresa com empresas semelhantes.
PERGUNTA
Sabe se a sua empresa está acima ou abaixo do setor nestes três indicadores?
Fonte: Banco de Portugal / BPstat
03 · CONTROLO
Que obrigação depende de um sistema que nunca testou?
Pense nos sistemas que suportam obrigações importantes da empresa:
Faturação
Salários
Contabilidade / ERP
Para cada um, responda:
Quem acompanha as alterações legais?
Quem confirma que o software foi atualizado?
Quando foi testado pela última vez?
Ter um fornecedor de software ou um contabilista não responde automaticamente a estas perguntas.
→ O que fazer: identifique um sistema em que esteja a assumir que “alguém trata disso”, mas onde ninguém tenha confirmado uma data de atualização e teste.
Tempo: 10 min
04 · DECISÃO
O prazo legal não é o seu prazo
No caso das novas regras de faturação, existe uma solução transitória até ao final do ano.
A leitura perigosa seria: “Temos até 31 de dezembro.”
Não tem.
Essa é a data limite externa. Antes disso, o software pode precisar de ser atualizado, configurado e testado.
Por isso, quando uma mudança depende de sistemas ou fornecedores, defina primeiro a sua data interna de prontidão.
Se a obrigação muda em janeiro, o processo deve estar validado antes.
O prazo legal diz quando tem de cumprir.
O prazo de gestão diz quando tem de estar preparado.
05 · FERRAMENTA
Quatro perguntas ao fornecedor do software
Não precisa de uma reunião. Envie apenas estas quatro perguntas:
1- A versão que utilizamos já suporta os novos procedimentos que nos são aplicáveis?
2- Se não, em que versão e em que data ficarão disponíveis?
3- É necessária alguma configuração, migração ou ação da nossa parte?
4- Como podemos testar o processo antes de entrar em produção?
Para o software de faturação, acrescente a referência:
Ofício-Circulado n.º 25120/2026 da AT.
Quatro respostas por escrito valem mais do que:
“Em princípio estará tudo preparado.”
06 · RADAR
Importa aço ou alumínio? O carbono de 2026 já vai à conta
O CBAM, mecanismo europeu que coloca um custo de carbono sobre determinadas importações, entrou no período definitivo em janeiro.
Abrange produtos como ferro e aço, alumínio, cimento, fertilizantes, eletricidade e hidrogénio. Para os importadores abrangidos, as emissões incorporadas nas compras de 2026 vão determinar os certificados que terão de adquirir a partir de fevereiro de 2027.
Em Portugal, os operadores que prevejam ultrapassar o limiar anual de 50 toneladas de mercadorias abrangidas devem verificar as obrigações de autorização aplicáveis no Portal das Finanças.
A Comissão Europeia tem prevista para 5 de outubro a publicação do preço dos certificados relativo ao terceiro trimestre.
Sinal: se importa diretamente produtos abrangidos, confirme os códigos aduaneiros das suas compras e se está a recolher os dados necessários sobre emissões.
Fonte: Comissão Europeia / Autoridade Tributária
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Mais de 200 M€ para fabricar tecnologias estratégicas
Abriram a 30 de setembro dois novos avisos STEP de Inovação Produtiva.
Um disponibiliza 100 M€ para tecnologias limpas e eficientes na utilização de recursos. Outro tem uma dotação global de 107,95 M€ para tecnologias digitais, deep tech e biotecnologia.
A taxa máxima de cofinanciamento indicada chega a 70% e ambos fecham a 4 de janeiro de 2027.
Não são incentivos generalistas à digitalização ou à compra de equipamento: destinam-se ao fabrico de tecnologias consideradas estratégicas ou ao reforço das respetivas cadeias de valor.
Sinal: se a sua empresa fabrica tecnologia enquadrável nestes domínios, vale a pena verificar o aviso. Para as restantes PME, não há ação.
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Bruxelas está a repensar o IVA da economia circular
A Comissão Europeia abriu uma consulta sobre possíveis alterações às regras do IVA para apoiar modelos de negócio circulares.
Estão em análise três áreas: bens usados ou remanufacturados, tratamento fiscal da destruição de bens ainda utilizáveis e regras de dedução do IVA de automóveis usados para fins profissionais.
Ainda não existe uma alteração legislativa. A consulta servirá para preparar uma futura proposta.
Sinal: empresas ligadas a revenda, reparação, remanufactura ou outros modelos circulares devem acompanhar o processo, podem ainda participar na consulta.
Fonte: Comissão Europeia
07 · SEM RUÍDO
Se fizer apenas uma coisa esta semana, faça esta:
Escolha o software que suporta a obrigação legal mais crítica da empresa e obtenha uma data concreta para a atualização e o teste.
“Está tratado” não é uma data.
Até para a semana,
Marcos Ramos
Gestão sem Ruído
Menos ruído. Mais controlo. Melhores decisões.